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Repercutimos a edição 26/01/202 do Ex-Blog do César Maia - OS CANHÕES DE JANEIRO! (O Estado de S. Paulo, 23)

 

OS CANHÕES DE JANEIRO!

(O Estado de S. Paulo, 23) “O que está diante de nós, que poderia ocorrer dentro de semanas, é a primeira guerra industrializada e digitalizada de um grande Exército contra outro grande Exército neste continente em gerações”, alertou, na quarta-feira, James Heappey, vice-ministro de Defesa do Reino Unido, apontando para a concentração de mais de 100 mil soldados da Rússia na fronteira da Ucrânia. “Dezenas de milhares de pessoas poderiam morrer.”

O chefe de Defesa da Estônia ecoou o alerta. “Tudo está se movendo na direção de um conflito armado”, afirmou. Nas semanas recentes, a Rússia mobilizou reservistas e trouxe tropas e mísseis de regiões remotas, como a fronteira com a Coreia do Norte. Países ocidentais preparam-se para o pior.

Na segunda-feira, o Reino Unido começou a mandar de avião milhares de mísseis antitanque para a Ucrânia. Dias antes, a Suécia enviou veículos blindados para a Ilha de Gotland, enquanto três lanchas de desembarque russas cruzavam o Mar Báltico com destino desconhecido. No mesmo dia, a Ucrânia sofreu ciberataques que desfiguraram sites do governo e bloquearam a maioria dos computadores oficiais.

Enquanto isso, a Casa Branca afirmou que possui informações de inteligência dando conta de que a Rússia planejava encenar atos de sabotagem contra as forças que apoia no leste da Ucrânia para fabricar um pretexto para atacar o país.

Esse ataque poderia adquirir muitas formas. Uma possibilidade é a Rússia simplesmente fazer abertamente o que tem feito furtivamente há sete anos – enviar tropas às “repúblicas” de Donetsk e Luhansk, territórios separatistas da região do Donbas, no leste da Ucrânia – seja para expandir seu perímetro a oeste ou para reconhecer as regiões como Estados independentes, como fez quando acionou forças em Abkházia e Ossétia do Sul, duas regiões da Geórgia, em 2008.

CRIMEIA. Outro cenário é a possibilidade de a Rússia buscar estabelecer um acesso terrestre até a Crimeia, a península que anexou em 2014. Isso requereria tomar uma faixa de território de 300 quilômetros ao longo do Mar de Azov, incluindo o porto ucraniano de Mariupol, no Rio Dnieper.

Essas tomadas de território limitadas estão dentro das capacidades das forças concentradas na Rússia ocidental. Mas é menos claro se isso poderia servir aos objetivos de guerra do Kremlin. Se o objetivo da Rússia é deixar a Ucrânia de joelhos e impedir que o país entre para a Otan ou até mesmo coopere com a aliança, simplesmente consolidar o controle de Donbas ou de uma pequena faixa de território dificilmente resolveria a questão.

Fazer isso exigiria impor custos ao governo em Kiev – seja dizimando suas Forças Armadas, destruindo a infraestrutura crucial do país ou acabando com tudo de uma vez. Uma opção para a Rússia seria usar armas “de alcance ampliado”, sem forças terrestres, emulando a guerra da Otan contra a Sérvia, em 1999.

Ataques de lançadores de foguetes e mísseis poderiam causar destruição. Esse armamento poderia ser apoiado com novas armas, como ciberataques contra a infraestrutura ucraniana, como os que prejudicaram a rede de energia do país, em 2015 e 2016.

O problema é que campanhas punitivas como essas tendem a durar mais e serem mais difíceis do que aparentam inicialmente. Se a guerra vier, ataques à distância têm mais probabilidade de ser prelúdios e apoios para a guerra terrestre, em vez de substituí-la. “Não vejo muitos obstáculos no caminho deles até Kiev”, afirma David Shlapak, da Rand Corporation, um instituto de análise.

INSURGÊNCIA. O objetivo, provavelmente, seria danificar a Ucrânia, não ocupá-la. O país é tão grande e populoso quanto o Afeganistão e, desde 2014, mais de 300 mil ucranianos adquiriram alguma experiência militar – a maioria tem acesso a armas de fogo. Autoridades americanas disseram a aliados que tanto o Pentágono quanto a CIA dariam apoio a uma insurgência armada.

A Rússia pode considerar o que o Exército americano chama de “ataque trovão”, afirma Shlapak, um ataque veloz e profundo sobre um front estreito, com intenção de chocar e paralisar o inimigo, em vez de conquistar território. E o ataque não tem de vir apenas do leste.

Na segunda-feira, soldados russos, alguns vindos do extremo oriental do país, começaram a chegar a Belarus, para exercícios militares marcados para fevereiro. A Rússia também afirmou que enviará uma dúzia de aviões militares e dois sistemas de defesa antiaérea S-400. Um ataque vindo do norte, através da fronteira de Belarus com a Ucrânia, permitiria à Rússia se aproximar da capital ucraniana pelo oeste e cercá-la.

“Imagine o centro de Kiev ao alcance de foguetes”, disse Shlapak. “Os ucranianos gostariam de viver essa situação?” Mesmo se o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski, estiver disposto a tolerar um cerco, a Rússia pode apostar que o governo dele simplesmente colapsará – e poderá usar espiões, forças especiais e desinformação para acelerar esse processo.

Mas guerras se desenrolam de maneiras imprevisíveis. A Rússia não empreende uma ofensiva em larga escala envolvendo infantaria, blindados e fogo aéreo desde as batalhas que culminaram a 2.ª Guerra. Países sob ataque podem tanto ficar firmes quanto se desintegrar. Ivan Timofeev, do Conselho Russo para Assuntos Internacionais, alerta para um “longo e moroso confronto”, que arriscaria “a desestabilização da própria Rússia”.

CUSTOS. Mesmo a vitória sairia caro. “Os ucranianos lutarão e infligirão grandes baixas aos russos”, afirma Peter Zwack, general da reserva que atuou como adido de defesa dos EUA em Moscou durante a primeira invasão russa à Ucrânia, em 2014. “Isso será difícil para a Rússia, que está basicamente sozinha.”

Juntamente com a ameaça das pesadas sanções sendo preparadas pelos EUA e por seus aliados europeus, e diante da aparente ausência de qualquer apoio doméstico para uma nova aventura, tudo isso pode estar dando a Putin, até mesmo agora, razões para pensar duas vezes.

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