Geopolítica dos Alimentos
Trigo para a África
França quer impedir a Rússia de vender trigo para África
A França quer deslocar a Rússia de África e para isso tentará substituir as vendas de trigo para um continente com necessidades crescentes de importação de cereais. No ano passado, a dinâmica mudou, especialmente em regiões-chave como os Camarões e o Norte de África, onde as importações foram atingidas pelo bloqueio económico da Rússia.
A França sabe que os países africanos precisam de diversificar as suas fontes de abastecimento. Os Camarões reduziram significativamente as suas importações de trigo russo, oferecendo à França a oportunidade de se tornar o principal fornecedor do país, com quase 300 mil toneladas capturando 301 por cento do mercado contra as 138 mil toneladas da Rússia.
A Rússia forneceu 524 mil toneladas em 2021, mas a França começou a ganhar terreno na África Central. No Norte de África, países como a Argélia reviram os seus critérios de importação, tornando mais fácil a importação de trigo russo, permanecendo abertos à França.
Com uma previsão de 17 milhões de toneladas disponíveis para exportação em 2023-2024, a França tem capacidade para abastecer mercados tão vastos como os da África do Norte e Central.
Além disso, embora o trigo russo fosse historicamente competitivo em termos de custos, a diferença de preços entre o trigo russo e o trigo francês está a diminuir, tornando o trigo francês cada vez mais atraente.
Para além dos custos, a França quer reforçar as parcerias económicas de longo prazo em África. Em regiões como o Norte de África, com uma forte tradição neocolonial, estas ligações são importantes.
Os países africanos estão conscientes do impacto das suas importações nas suas economias. Para países como os Camarões, a importação de trigo é uma grande preocupação económica. O Norte de África, com uma população em rápido crescimento e necessidades alimentares crescentes, também está preocupado com a segurança alimentar.
O momento é propício. Agora a França tem uma oportunidade de ouro para consolidar a sua posição, não só como fornecedor, mas também como metrópole guardiã.

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