Pituffik, a estratégica base militar dos EUA na Groenlândia no centro da polêmica sobre visita de vice-presidente J.D. Vance - créditos BBC
Pituffik, a estratégica base militar dos EUA na Groenlândia no centro da polêmica sobre visita de vice-presidente J.D. Vance
- Guillermo D. Olmo
- Tempo de leitura: 7 min
A Base Espacial de Pituffik, no noroeste da Groenlândia, desempenha há décadas um papel fundamental no sistema de alerta precoce dos Estados Unidos para detectar ataques de mísseis.
A Groenlândia se tornou uma prioridade para Washington desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, uma vez que o presidente considera o território autônomo dinamarquês uma região crucial para a defesa dos EUA, e acusa a Dinamarca de não garantir a segurança desta ilha sob sua soberania.
As tensões aumentaram nesta semana após o anúncio de uma visita indesejada de uma comitiva de alto escalão dos EUA, liderada por Usha Vance, que acabou sendo acompanhada pelo marido, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, à Groenlândia.
Tanto o governo dinamarquês quanto o Poder Executivo autônomo da Groenlândia criticaram a viagem, até que Washington finalmente anunciou que a visita se limitaria à base de Pituffik, sob controle dos EUA desde a década de 1950.
O que há na base de Pituffik — e por que é importante
Neste recanto remoto do Ártico, a cerca de 1.200 quilômetros do Polo Norte, fica a base mais ao norte de todas as que os EUA têm ao redor do mundo desde o início da Guerra Fria. Ela foi originalmente projetada para detectar possíveis ataques de mísseis da antiga União Soviética a tempo e permitir uma resposta rápida.
Anteriormente chamada de Base John Thule, a instalação é operada pelo 821º Grupo de Base Espacial, que inclui o 12º Esquadrão de Alerta Espacial e o 23º Destacamento de Operações Espaciais.
Sua missão é monitorar o espaço, alertar sobre possíveis ataques de mísseis e monitorar satélites de defesa dos EUA.
É por isso que o vice-presidente Vance se referiu à base como os "guardiões" dos EUA no Ártico.
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"A base é estrategicamente muito importante devido à sua localização geográfica", diz Troy J. Bouffard, um oficial aposentado do Exército americano que trabalha em um centro especializado em segurança do Ártico na Universidade do Alasca Fairbanks, à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC.
"Durante a Guerra Fria, o Ártico era a rota mais curta para atacar os EUA com mísseis balísticos intercontinentais soviéticos, e continua sendo para qualquer adversário que queira atacar os EUA com mísseis hoje", explica.
A imagem da base é marcada pelas cúpulas brancas dos Radares de Alerta Precoce, os sistemas que detectam o lançamento de mísseis balísticos intercontinentais e lançados por submarinos (ICBMs e SLBMs, respectivamente).
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De acordo com dados publicados pelo Departamento de Defesa americano, o contingente é composto por cerca de 650 pessoas.
Duzentas são militares da Força Aérea e da Força Espacial dos EUA.
Os demais são civis canadenses, dinamarqueses e groenlandeses que vivem e trabalham na base.
A vida não é fácil para eles. O gelo cobre a base na maior parte do ano, as temperaturas chegam a 34°C abaixo de zero e, no inverno, o Sol desaparece por várias semanas.
O vilarejo mais próximo, Qaanaaq, fica a mais de 100 quilômetros de distância, e é um pequeno assentamento onde os habitantes sobrevivem caçando focas, morsas e, de vez em quando, ursos polares.
Os barcos só conseguem chegar a Pituffik durante as poucas semanas de verão, quando a superfície do mar próximo à base descongela.
Assim, a base permanece conectada ao mundo exterior graças a uma base aérea que permanece operacional o ano todo.
O Corpo de Engenheiros do Exército americano costuma ser encarregado da difícil manutenção das instalações em um terreno tão hostil.
Pesquisas científicas também são realizadas em Pituffik. Desde sua criação, o Exército dos EUA estuda o ambiente para facilitar suas operações, e a Nasa, a agência espacial americana, vem pesquisando a perda de gelo no Ártico a partir da base.
Créditos BBC







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