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LFS Defesa - Segurança - Geopolítica Repercutimos aqui para você o Artigo entitulado: Defesa nacional – um imperativo existencial, autor Paulo Nogueira Batista Jr

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Repercutimos aqui para você o Artigo entitulado: Defesa nacional – um imperativo existencial, autor Paulo Nogueira Batista Jr 


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  Defesa nacional – um imperativo existencial 

Paulo Nogueira Batista Jr.

Começo com uma citação. Nietzsche disse: A natureza não pune os maus, ela pune os fracos. E podemos acrescentar: A história também não pune os maus, pune os fracos. Não pune Netanyahu, pune Maduro. Não pune Israel, pune a Venezuela.

Antes de prosseguir, abro um rápido parêntese: parece que Nietzsche não disse isso, infelizmente. Mas poderia e deveria ter dito, a meu ver, pois a frase parece ilustrar bem, e com força, um aspecto central do seu pensamento. É impressionante, diga-se de passagem, como é grande o número de frases apócrifas interessantes. Poderia dar vários exemplos, mas isso tornaria a digressão longa demais.

Volto ao aforismo atribuído a Nietzsche. Há melhor maneira de dizer em poucas palavras a importância que tem a defesa nacional? Gostamos de nos vangloriar, e com certa razão, do nosso soft power, da nossa música, da nossa dança, da nossa cordialidade etc. Mas o maior soft power do mundo nada resolve diante da ameaça de um agressor externo poderoso. 

Somos também, declaradamente, um país pacífico por vocação. Até a nossa Constituição exclui a posse de armamento nuclear. Continua verdadeiro, entretanto, o antigo lema romano: Se vis pacem, para belum (Se queres a paz, prepara-te para a guerra). E cuidado para que a invocação do nosso pacifismo não seja tomada como sinal de fraqueza!

A questão da defesa nacional voltou à ordem do dia em 2026. O sinal de alerta vermelho foi dado pela intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que sequestraram, em operação relâmpago, sem sofrer perdas, o presidente do país. O regime venezuelano foi primeiro decapitado para, em seguida, ser vergonhosamente castrado. Sob Delcy Rodriguez, a Venezuela tornou-se um mero protetorado dos Estados Unidos. Isso tudo praticamente sem resistência. A revolução bolivariana era um tigre de papel. 

Materialde referência geográfica

  Tardiamente, o Brasil acordou para a questão da defesa nacional. Foi um rude despertar. Nossos governantes, que em geral tendem à acomodação, certamente teriam preferido continuar no esquema anterior, adiando os investimentos militares para as calendas.

Não se sabe exatamente o que está sendo feito agora, e isso é natural. São questões que, por sua própria natureza, devem ser  conduzidas discretamente, até em sigilo. Mas, a julgar por várias declarações do presidente da República e de alguns dos seus auxiliares, notadamente o embaixador Celso Amorim, o governo está consciente da necessidade de agir rapidamente.

Por que a urgência? A razão básica, que ficou clara e cristalina no episódio Venezuela, é a agressividade do Império e, em especial, a sua determinação, reiterada diversas vezes em documentos oficiais e em declarações de Trump e seus ministros, de estabelecer a hegemonia dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental, da Groenlândia à Patagonia. Sem submeter o Brasil, um gigante nesse hemisfério, a hegemonia ficaria gravemente incompleta. 

Além disso, esse nosso gigante dispõe, como se sabe, de vastíssimos recursos naturais, de todos os tipos, o que atiça a cobiça do Império. Podemos mencionar, para dar alguns exemplos, minerais críticos, inclusive a segunda maior reserva de terras raras, urânio, minério de ferro, petróleo, a maior biodiversidade do mundo, vastas reservas de água e amplas fontes de energia de todo o tipo. Tudo isso ficará cada vez mais valioso com o avanço ininterrupto da humanidade sobre o planeta.

Em resumo, somos ricos em recursos estratégicos e estamos atrasados em matéria de defesa nacional. Perigo evidente. 

Alguns fatores jogam a nosso favor, entretanto. Primeiro, a superpotência está em apuros em razão de erros clamorosos de sua estratégia geopolítica. Nas décadas recentes, os EUA abriram três frentes de batalha ao mesmo tempo – contra a Rússia, contra a China e contra o Irã. Não estão prevalecendo em nenhuma das frentes e conseguiram aproximar esses três países uns dos outros. A isso se acrescenta, a fragmentação sem precedentes do bloco ocidental, provocada pelas agressões de vários tipos contra os europeus e outros aliados tradicionais desde 2025. 

Isso tudo enfraquece os Estados Unidos, em especial a vitória do Irã (até agora) no campo de batalha. Quanto mais tempo e recursos o Império gastar na Ásia Ocidental para defender a sua presença lá e os interesses de Israel, menos tempo e recursos terá para dedicar ao Hemisfério Ocidental. 

Outra aspecto importante da guerra entre Irã, EUA e Israel é o seu caráter assimétrico. O Irã vem destruindo ativos militares caríssimos com mísseis e drones baratos. Depois de longa preparação, os iranianos demonstraram, na prática e com grande sucesso, como se vence uma guerra assimétrica contra uma superpotência e seu poderoso aliado regional. O Brasil é o tipo do país que pode aprender com essa experiência. Inclusive o seguinte: não é preciso ter armamento nuclear para exercer poder de dissuasão. E as lições estão sendo tiradas. O presidente Lula declarou recentemente que é prioritário fabricar drones em larga escala no território nacional. É essencial colocar essas intenções em prática sem demora.  

Materialde referência geográfica

Mãos à obra! Defesa nacional já!

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Versão ampliada de artigo publicado sob o mesmo título na revista Carta Capital.

O autor é economista e escritor. Foi vice-presidente e fundador do Novo Banco de Desenvolvimento, estabelecido pelos BRICS em Xangai, de 2015 a 2017, e diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais 10 países em Washington, de 2007 a 2015. Publicou pela Editora Contracorrente o livro Estilhaços, em 2024.

E-mail: paulonbjr@hotmail.com 

Canal YouTube: youtube.nogueirabatista.com.br 

Portal: www.nogueirabatista.com.br

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